Publicar um livro por conta própria

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Publicar um livro por conta própria

Mensagem por Selina em Sex Set 12, 2008 2:28 pm

Publicar um livro já é grátis

Print on Demand
é o novo sistema de publicação que permite a qualquer um publicar
gratuitamente o seu próprio livro. À falta de editora, muitos
portugueses já avançaram para a auto-publicação e mostram-se
satisfeitos com o resultado final.


Publicar um livro é o sonho de
muitos, mas poucos o concretizam. As editoras, diz-se, só abrem a porta aos
conhecidos e raramente espreitam quem não conhecem. Há outras soluções, como as
edições de autor, que têm sempre as portas e janelas abertas para quem pode
pagar. Mas não sendo conhecido, a probabilidade de encher a garagem com livros por
vender é grande. Fartos de esperar, muitos escritores descobriram a chave que
abre a porta do «publica o teu livro gratuitamente».




O novo sistema de publicação
chama-se Print on Demand (POD, algo como 'impressão a pedido') e possibilita
que o escritor publique o seu próprio livro da forma que entender, sem custos
iniciais de impressão ou pedidos mínimos de exemplares. Um exemplar só é impresso
depois de existir uma encomenda on-line.
O autor do livro é que escolhe o preço de venda, sendo que uma margem que varia
entre os 10 e os 25 por cento reverte para o sítio onde publicou o livro.




Laura de Sousa Vieira, 56 anos, é
surda desde os seis, o que não a impede de «entender tudo ou quase tudo», como rapidamente adverte. No espaço
de cinco meses já publicou dois livros no sítio Lulu.com: Réstias de Sol, em Novembro de 2007, e Sons de Amor, em Abril deste ano. A ideia de publicar os seus
próprios livros surgiu do lado de lá do Atlântico: «Um amigo brasileiro que ia ao meu blogue disse-me para publicar um livro
porque gostava muito da minha poesia», conta Laura Vieira.



Vantagens do Print on
Demand

Depois de ter ouvido que em
Portugal é o «cabo dos trabalhos» para
lançar um livro, uma vez que as «editoras
são muito exigentes» e se gastam «balúrdios»,
a escritora resolveu avançar para o sistema de auto-publicação. O maior benefício
do Lulu.com é, na opinião de Vieira, pagar somente os livros que mandar
imprimir, não correndo assim o risco de armazenar os restantes.


Para outro autor do Lulu.com, o
músico Nuno Castelo, de 32 anos, as vantagens que o POD apresenta em relação às
editoras tradicionais são óbvias: «Primeiro,
podemos ser nós a fazer tudo (desde o formato, paginação, grafismo, etc). Não
há prazos a cumprir. E não podemos esquecer a possibilidade de escrever sobre
tudo o que nos apetecer e sermos nós a decidir o preço final do livro»
.



Padrões Hipnóticos da Linguagem – Influência e Persuasão – Vol.I e Espaço
de Memórias
são os dois livros que já saíram da pena do músico, adepto do «faça você mesmo». No terceiro, Principia Discordia, Nuno Castelo
resolveu experimentar o papel de editor. O objectivo do autor do Lulu.com não
passa por chamar a atenção de nenhuma editora mas apenas pelo prazer que sente em
ser ele próprio a editar e publicar os seus livros.


Mercado editorial português


O autor d’Espaço de Memórias traça um retrato muito negro da situação actual do
mercado editorial português: «Os livros
estão cada vez mais caros, porque existem muitos intermediários, a promoção
está guardada,
apenas, para os best-sellers e como se não bastasse os próprios
conteúdos, por vezes, são questionáveis,
relativamente às suas fontes e até à
sua qualidade»
.



Também o artista plástico,
webdesigner e escritor Francisco Capelo, de 35 anos, decidiu publicar por sua «conta e risco» porque não queria
depender das editoras que são, no seu entender, «para os escritores o que as galerias de arte moderna são para os
artistas: empresários que buscam unicamente o lucro»
e que «nem sequer lêem os
livros».


O artista plástico soma já onze livros editados através do Lulu.com. O primeiro – Porque o Ocidente não é o melhor – Os 10 Mitos de superioridade da
civilização ocidental
– surgiu em 2004, em língua inglesa, sendo
posteriormente traduzido para português. O livro pode ser encontrado à venda na
Amazon, na Barnes & Noble e Borders, entre outras livrarias online
mundiais.


Ao contrário de Nuno Castelo,
Francisco Capelo espera vir a captar o interesse de alguma editora mas,
frisa, «não para edições de autor»: «A editora teria de ser séria e
apostar em mim
pelos conteúdos que escrevo e não por outros motivos como os
financeiros». O
escritor já enviou os seus livros a algumas editoras mas as respostas
ora
variam entre o «não» ou com propostas para edições de autor.



Print on Demand não ameaça edição tradicional

Apesar de considerar a
auto-publicação «algo do futuro»,
Nuno Castelo não acha que esta nova forma de publicar livros vá ameaçar a
publicação tradicional:«Continua a ser
necessário existir uma boa e organizada máquina de investimento, em
promoção/ divulgação e distribuição, para que o produto esteja não só disponível
mas também acessível ao consumidor».


O editor da Quasi Edições, Jorge
Reis-Sá, concorda com o escritor do Lulu.com porque considera que esta mudança «não resolve nem a questão da pré-impressão
do livro (paginação, capa, etc) nem as da distribuição»
. Da mesma opinião é
o editor Nelson de Matos que vê no POD uma «forma
dos jovens autores ou dos autores que não encontraram editor divulgarem os seus
textos»
. O responsável pelas Edições Nelson de Matos pensa, no entanto, que
se o autor conseguir divulgar e chamar convenientemente a atenção para os seus
textos, poderá suscitar o interesse e a curiosidade de um editor tradicional
mais atento a este tipo de fenómenos.

Livrarias continuam a vender melhor

Em Portugal, Nuno Castelo vende
melhor através das livrarias, uma vez que os portugueses ainda
não têm muito o hábito fazer compras on-line. Em compensação, tem
melhores resultados no mercado brasileiro, para onde exporta através da
Internet. O balanço tem sido bom: «As vendas correm bem e o feedback tem sido muito positivo»,
garante.




Menos satisfeito está Francisco
Capelo que afirma que «as vendas correm
mal a todos os autores Lulus»
. No fórum português que existe no Lulu.com,
os autores acham que as fracas vendas se devem ao facto de não existirem
unidades de impressão e distribuição em Portugal ou no Brasil (o que diminuiria
os portes de envio) e de não haver um site em português que ajude a divulgar as
obras que vão sendo publicadas. Contudo, Capelo não se mostra desapontado: «Só tenho coisas boas a dizer do fundador do
Lulu.com, Bob Young, e da empresa: mais
democrática seria impossível». Todos os três escritores do Lulu.com referem
que os livros não demoram mais de uma semana a chegar.


O próximo livro de Laura de Sousa
Vieira, a ser publicado no Lulu.com, será sobre um problema de saúde por que
passou recentemente. «Pelo menos na minha
cabeça já está escrito», garante. O de Francisco Capelo tem a ver com o «processo de tornar qualquer pessoa um
escritor, através da descrição detalhada dos aspectos da publicação online,
seguindo o exemplo Lulu». «Estou a
gostar muito de o escrever», confessa, sabendo que vai dar muitas alegrias «a pessoas que nem sonham como é cada vez
mais fácil ser escritor». Uma ficção-histórico-politica, ainda sem nome,
será o sucessor de Principia Discórdia,
de Nuno Castelo.

Se quiser aderir ao Print on Demand visite as mais conhecidas empresas

http://www.bubok.com/

http://www.tikatok.com/

http://www.blurb.com/

http://www.lulu.com/

Fonte http://www.rascunho.net/artigo.php?id=2089
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